A SABEDORIA E O MOVIMENTO DAS NUVENS

Leandro Dorneles


Recentemente tive um problema com meu notebook e acabei perdendo muitos arquivos e fotos... utilizei um programa para recuperação de dados para resgatar alguma coisa e aproveitei para recuperar fotos do meu HD externo também. Resultado: com apenas 20% de escaneamento (não quis esperar mais) recuperei pouco mais de 5 mil fotos... E com isso 5 mil lembranças também. De minha mãe, de minha infância, dos meus amigos e de tantas pessoas que já passaram pela minha vida.

Certamente a nostalgia nos tira um pouco do centro, balança os sentimentos e as emoções, trazendo-nos saudades até da folha da árvore que um dia vimos cair...

No Sul, entre meados de outubro e novembro surge certa brisa leve e suave, um vento relativamente frio temperado com o calor dos raios de sol que brigam por espaço entre as nuvens primaveris do céu gaúcho, num movimento acelerado e constante, demonstrando que tudo é passageiro. Sim, uma geração vai e outra vem... e nada há de novo debaixo do Sol. Lembro-me de ficar sentado no quintal de minha mãe, com meu violão, observando as nuvens e buscando discernir a sabedoria que elas declaram... Eram tempos incríveis.

O tempo é instrumento de Deus para ensinar muitas coisas, aos que nele prestam atenção. Vivemos tão acelerados que desacostumamos a prestar atenção nos detalhes. Talvez, grande parte dessa geração sequer vislumbrou um dia o movimento das nuvens.

São tantas ambições, tantas metas, tudo pra ontem... E na expectativa do amanhã deixamos de viver o hoje e de curtir cada momento.

Estou envelhecendo... Não, não por conta das minhas cãs, das quais carrego desde os meus 14 anos. Não porque minha coluna já não seja mais a mesma, ou porque o cansaço das manhãs ficou mais pesado. Estou envelhecendo porque já consigo ver certos horizontes a minha frente que me fazem refletir sobre onde efetivamente quero chegar. Porque começo a rever minhas prioridades e impor meus próprios limites. Porque começo a ter certos temores e a rever certos conceitos.

Eu sei que tudo passa, tudo é efêmero, exceto as palavras de sabedoria quando penetram ao coração. Lembro-me - e constantemente as replico -, de certa frase que li na época do ‘falecido’ Orkut, em um contexto qualquer: “não permita que o urgente tome lugar do importante”. Não poderia ouvir nada melhor.

Em minha correria entre faculdade, trabalho e sonhos pessoais, uma coisa me faz parar o tempo: a batida à porta, de minha filha pedindo atenção. É onde eu descalço de mim e dar-lhe o tempo que ela precisa para viver sua plenitude infantil. Da multidão de livros e videoaulas ela me despe para dar papinha e voz às suas bonecas e personagens favoritos. Porque me recuso a deixar que a urgência dos meus anseios tome o lugar da tão rápida e singular infância da minha menina, ainda que isso me custe mais madrugadas em claro para compensar o atraso de outros compromissos.

E com isso, a reflexão de tantas outras coisas mais importantes que as urgências da minha vida. O envelhecer traz a maturidade para se reconciliar consigo e com os outros. Porque passamos a dar importância até àqueles que não nos acrescentavam muito. Se não percebemos essa necessidade é porque ainda vivemos na vaidade da nossa juventude que acredita durará para sempre.

Tudo isso pode ser aprendido pelo simples contemplar das nuvens em movimento. Quanto mais do ouvir as palavras de Deus que constantemente batem a porta, quando não, dos nossos sonhos e visões noturnas.

Que possamos aprender mais com as nuvens, com o silêncio, com as coisas importantes e com a inconfundível voz do Criador, porque Ele fala, a todo instante, ao nosso coração. Se O escutarmos, ganharemos a Eternidade ao Seu lado.




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